quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Elton John – "Sixty Years On"

"I've no wish to be living sixty years on"



"The next song we're gonna do holds a great deal to the arrangement by Paul Buckmaster. This is called 'Sixty years On'"
Elton John live at the BBC


Reavivo o blog para uma homenagem que me obrigo a fazer.

Hoje perdemos mais uma lenda – o grande Paul Buckmaster. "Quem?", perguntarão os mais incautos.
Paul foi o responsável pelos arranjos orquestrais dos primeiros álbuns de Elton John e um dos principais obreiros da superlativa discografia do seu início de carreira e até, por que não, do big break do próprio Elton John.

Elton nunca se coibiu de sublinhar a importância de Paul na sua música (como podemos ouvir em cima numa performance para a a BBC), ao ponto de vermos Paul listado como membro da banda nos primeiros álbuns. Pela minha parte, que amo com toda a força "Elton John" e "Tumbleweed Connection" – álbuns que me fizeram companhia quando morria de saudades de casa quando vivia na Polónia –, tenho a perfeita noção que se não fosse por Paul, a música que eu amo não teria sido a mesma.

"Space Oddity" foi a primeira vez que Paul Buckmaster apareceu num grande hit. Ganhou nome e daí saltou para os discos de Elton John (que já era grande fã de Bowie, ainda antes de ele ter sucesso). Depois ganhou reconhecimento tal, que lhe permitiu fazer música com centenas de artistas nas décadas seguintes, entre eles os Rolling Stones, os Guns N' Roses e mais recentemente, os Tears For Fears, no magnífico "Secret World". A ele se deve muito do feeling épico do tema.

Mas ainda não ouvimos tudo da obra de Paul Buckmaster. Ficou a faltar ouvir a banda sonora original que Paul produziu com Bowie para o filme "The Man Who Fell to Earth", cancelada à última hora por falta de tempo de Bowie. Só posso imaginar a obra prima que ali pode estar.

Fica a minha homenagem ao eterno Paul Buckmaster, sem o qual a minha vida teria sido um bocadinho menos feliz.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Peter Gabriel - "Sky Blue"

"I keep moving to be stable"


Uma das armadilhas da condição humana é aquela tentação inócua de pensar n'o que podia ter sido. Todos o fazemos. Eu talvez o faça um bocadinho mais que a média, porque remoer tudo até à infinita iteração é o modo de funcionamento automático do meu cérebro. E é por isso que letting go sempre foi o meu maior martírio, algo que eu simplesmente não controlo. Não tenho culpa que a minha cabeça trabalhe a mil e as minhas memórias me fustiguem incessantemente com universos paralelos d'o que podia ter sido se eu tivesse feito as coisas de outra forma.

Não estou aqui para vos leccionar sobre se devem ou não remoer o passado. Só quero apontar o facto que isso acontece e que não podem fugir dessa fatalidade. Fora isso, de moral, não aprendem nada aqui. Nem eu a tenho para vos ensinar, nem isto é um livro de auto-ajuda. If anything, o que escrevo pretende ser exactamente o oposto de um livro de auto-ajuda. Tenho aversão ao cenário fantasioso pintado nessa literatura, onde a negação da realidade só serve para afundar ainda mais o leitor num estado de alienação (e para encher os bolsos do escritor). A realidade pode ser podre, mas é tudo o que temos. Fugir dela é negar a vida na sua essência.

O meu problema com os livros de auto-ajuda é que todos negam a própria condição humana. Todos advogam a repressão de quaisquer sentimentos de tristeza, amargura, ou ressabiamento. Mas esses sentimentos fazem parte de nós, são do nosso dia-a-dia. Temos que lidar com eles inexoravelmente. São reais. E porque são reais, merecem ser celebrados — não literalmente, isso seria deprimente — mas como a prova legítima que estamos vivos. No grande quadro da vida, são esses momentos viscerais de contacto intenso com a realidade que compõem what this shit is all about. Somos humanos e não há mal nenhum nisso. Quando cai a máscara e o sangue ferve, é aí que a vida acontece.

Ui, onde é que eu já vou. Como é hábito, comecei a divagar e já misturei aqui dois ou três posts que queria escrever.

Pensar n'o que podia ter sido não é mais do que uma forma de auto-ressabiamento, um ressentimento para com a merda que fizemos. E tanta merda que eu já fiz. O mais curioso é que apesar de a remoer até ao infinito, acabo por nunca me arrepender de nada. Tenho o meu juízo em boa conta, parece-me. Por outro lado, arrependo-me muitas vezes do que não faço. Aliás, a minha regra é que só me arrependo do que ficou por fazer. É por isso que de todos os que podia ter sido da minha vida, o que me bate com mais frequência talvez seja aquela vez em que estive a uma assinatura de cumprir o meu destino de viver em Londres. As estrelas estavam todas alinhadas: havia dinheiro em cima da mesa; havia a promessa de uma carreira; havia interesse de todas as partes. Havia tudo. Então por que raio eu não fui?!


"Sky Blue" é um dos temas-chave do (ainda) mais recente álbum de originais de Peter Gabriel — "Up" de 2002. Foi escrito originalmente para a banda sonora do (grande) filme "Rabbit Proof Fence", lançado no mesmo ano (obrigado Rita!). O filme conta a história de três meninas aborígenes que são raptadas na Austrália dos anos 30 para servir famílias brancas e por isso são levadas para o outro extremo do país. A única esperança que as meninas têm para regressar a casa é seguir o trilho de uma vedação de 2400 quilómetros que atravessa o deserto australiano, colocada para impedir a migração de coelhos (daí o nome do filme).

"Long Walk Home" é o nome da banda sonora de "Rabbit Proof Fence", um álbum que junta duas versões de "Sky Blue" — "Ngankarrparni (Sky Blue - Reprise)" e "Cloudless" —, ambas sem a lírica de Peter Gabriel, que é aqui substituída por cantos aborígenes, mais adequados ao filme. O nome da banda sonora é um perfeito retrato da inspiração de Peter Gabriel na criação da música para um filme que, mais que tudo, ilustra a força de vontade que pode vir do simples (mas tão poderoso) desejo de voltar a casa. Salvaguardadas as devidas proporções, é algo que só podemos sentir no aeroporto quando o voo atrasa mais uma hora, a roupa já se pega ao corpo e a vontade de chegar a casa ganha contornos de desespero. Abrir a porta e sentir o nosso cheiro. Comer a nossa comidinha e finalmente deitar na nossa caminha. Nada é melhor que isto.

Não há para mim sentimento igual ao de casa. É por isso que sempre que viajo (e felizmente posso fazê-lo muitas vezes), onde quer que esteja, crio um pequeno cantinho, normalmente ao lado da cama, onde ponho os meus óculos, telemóvel e gotas para os olhos. Aquele cantinho é casa. Olho para ali e sinto-me em segurança. It feels like home.
E casa pode ser em qualquer lado. Londres, por exemplo.

"I keep moving to be stable, free to wander, free to roam"

Sempre me imaginei a viver em Londres. Londres é a capital do país de onde vieram quase todos os meus ídolos e foi a cidade que os consagrou a todos: no Wembley Stadium, no Hammersmith Odeon, no Earls Court, no Rainbow Theatre... Por isso sempre me fez todo o sentido mudar para lá e viver as mesmas experiências que os meu ídolos viveram. Claro que na realidade isto não funciona bem assim, mas pelo menos poderia estar no sítio onde tudo acontece primeiro e assim poder testemunhar ao vivo o nascimento do meu próximo ídolo.

Notem que em lado nenhum me referi a Londres como um "sonho". Não é bem disso que se trata. Lá em cima utilizei a expressão "cumprir o meu destino" porque na verdade eu sempre achei que Londres era onde eu ia parar; que era ali que eu pertencia. Quase como se a minha mudança fosse uma inevitabilidade. Não é propriamente um sonho na medida de, por exemplo, ver o Benfica campeão europeu, ou apertar a mão ao David Gilmour (será que ganhava imortalidade?!). É sim algo que sempre senti que tinha que fazer. Se é que esta dicotomia vos faz algum sentido.

"I can hear the same voice calling, crying out from my heart"

Há cerca de cinco anos, a viver numa agitação permanente de nunca estar satisfeito com o que tinha (não que isso tenha mudado muito, mas já melhorei), talvez por ver os "vintes" a fechar-se, achei que estava na hora de mandar tudo ao ar e ir atrás do meu destino londrino. Comecei a mandar currículos em Agosto e a resposta foi overwhelming. Estava de férias e na praia o telefone não parava de tocar com propostas para entrevistas. Para fazer o bingo de coincidências, tinha um concerto do Roger Waters no Wembley marcado para Setembro, daí a poucas semanas. Uau. Parecia que o destino queria mesmo que eu fosse para Londres. It was really happenin'.

Na plataforma de comboios de Victoria Station, a estudar o Google Maps, percebi que afinal o trabalho não era bem em Londres. Era em Croydon, uma espécie de Amadora lá do sítio, a sul da cidade. Mas e depois? A caminho da empresa, o comboio passou ao lado da Battersea Power Station, essa mesmo, que aparece na capa do "Animals" dos Pink Floyd e que podem ver lá em cima, no banner do blog. Que cenário mais idílico poderia eu pedir? À chegada ao edifício, ajeitei a minha gravata e fui para cima deles.

Subi o elevador sem saber o que esperar. Não tive que esperar muito. Passado meia hora de entrevista, meteram-me um contrato à frente. De repente, tudo aquilo que eu queria, tudo aquilo que eu precisava estava ali, como se o meu desejo mais íntimo me tivesse caído no colo, sem que eu realmente o desejasse. Careful with what you wish for, não é? Bastava assinar o papel et voilá, cumpria-se o destino de viver Londres. Não assinei.

"So tired of all this traveling, so many miles away from home"

De regresso a Lisboa, poucos dias depois da entrevista, voltam a ligar-me. Parece que o meu caso foi ao CEO do grupo (e acreditem, era enorme) e eles abriam uma excepção para mim. Tinham gostado tanto de mim (eu tendo a despoletar reacções extremas nas pessoas e às vezes até acontece gostarem de mim), que estavam dispostos a oferecer-me um contrato superior a todos os que entravam para a minha posição. Voltei a rejeitar.

Porquê? Fuck knows. De todos os que podia ter sido, este é aquele mais dificuldade tenho em encaixar. Foi uma decisão que tomei e que, embora não me arrependa, ainda hoje não sei se foi a mais correcta. As perspectivas eram excelentes, não tinha nada a perder e nem sequer deixava cá ninguém. Às vezes penso, what the hell was I thinking?! Será que Londres não é, afinal, o meu destino? Ou será que simplesmente ainda não tinha chegado a hora de eu assinar o papel?

"Back on the road, alone with the sky"

"Sky Blue" leva-me para um universo paralelo onde eu finalmente me decidi a assinar o papel. O tema puxa pelas saudades de quem está há demasiado tempo fora de casa e sonha regressar, pelo que me põe já dois passos à frente da realidade. A canção invoca uma nostalgia reversiva d'o que podia ter sido, saudades de casa se eu me tivesse mudado para Londres. É um sentimento que na escala da autocomiseração, deixa para trás o clássico sofrimento por antecipação. Este é mais o sofrimento por imaginação, algo que só é possível graças ao poder da música.

Naquele momento de imersão na música de Peter Gabriel, o meu coração aperta com saudades de casa e ali desespero por voltar ao céu azul de Lisboa, ao peixe de Sesimbra e aos lençóis lavados pela minha mãe. Depois olho à minha volta e vejo que afinal estou a conduzir na A5, apenas a 20 minutos de cumprir o sonho de chegar a casa.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Radiohead - "Man Of War"

"Drunken confessions and hijacked affairs just make you more alone"


Um dos maiores elogios que recebi em toda a minha vida foi de uma paixão que durou apenas 3 dias em Londres. Há amores que são assim — só existem numa determinada janela de espaço e tempo. Passadas as portas da Martini na Portela, o turbilhão desvaneceu tão rapidamente como aparecera; mas naquelas 72 horas, parecia que não havia mais nada do mundo. Eram todas as cores e todos os sonhos ao mesmo tempo, condensados numa só tempestade adamastora que lavrava tudo à sua passagem.
Encostados ao muro junto ao rio, a olhar para a Tower Bridge depois de um beijo apaixonado, ela virou-se para mim com um olhar encantado e disse-me que o que mais a impressionava em mim é que eu parecia não ter medo de nada. Sem perceber a tragédia do verdadeiro alcance das suas palavras, sorri e por um momento senti-me o James Bond.

Toda a minha vida fantasiei em ser duas coisas: uma estrela de Rock n Roll e o James Bond. Talvez por isso tenha sempre sentido esta atracção irresistível pelo perigo e pelo erro iminente. Para mim, as palavras dela foram um enorme elogio, mas nem por isso tirei quaisquer dividendos deste destemor. A verdade é que o medo não é mais que uma consequência — às vezes nefasta, às vezes salvadora — das experiências negativas que acumulamos. É um sinal de inteligência emocional. Esta minha estúpida falta de medo deve-se ao facto de ter sido abençoado com a maldição de não aprender com as experiências anteriores e por isso não ter medo de cair nos mesmos erros uma e outra vez. E como tal, não tenho medo de nada.

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"Man-o-war is very melodramatic. Too melodramatic. When we started out, it was just a homage to Bond themes really. I like it. It's pretty much the opposite to everything we're writing."
Thom Yorke



Segundo a minha fiel fonte dos Radiohead e maior especialista da banda que conheço — o Filipe (leiam a review dele da reedição do "OK Computer") —, "Man Of War" foi o tema sugerido à EoN (produtora dos filmes do James Bond) quando os abordaram para a banda sonora de "Spectre". O tema foi escrito por alturas do "The Bends" como uma homenagem aos Bond themes, na expectativa de um dia os Radiohead serem chamados à prova (em cima, num clip retirado do documentário "Meeting People Is Easy", podemos ver a banda no estúdio a gravar o tema). Não foram e "Man Of War" ficou na gaveta durante 20 anos, até hoje, que finalmente viu a luz do dia na reedição de "OK Computer".
A chamada chegou finalmente em 2015, mas a EoN perversamente  não aceitou o "Man Of War" por ser um tema antigo. Como tal, os Radiohead gravaram "Spectre", que foi igualmente rejeitado por ser demasiado dark e em última instância foi chamado Sam Smith, que acabaria por gravar o deveras underwhelming "Writing On The Wall".
Não consegui verificar se foi exactamente assim que se passou, mas como gosto da história, vou adoptá-la como a minha versão, até porque como dizia o Mark Twain, "never let the truth get in the way of a good story".

Na verdade, "Man Of War" talvez fosse demasiado complexo para o portrayal que a EON quer fazer do James Bond nos seus filmes. Na visão original de Ian Fleming, James Bond é um assassino. Plain and simple. É um homem com mais morte e menos swing que a série de filmes quer fazer crer. Mas acima de tudo, é um homem. Um homem igual aos outros, com medos, desejos e anseios. A morte dos outros é a forma que Bond encontrou para compensar a sua própria morte interior. E é assim que os Radiohead se atrevem a caracterizá-lo.

"Drunken confessions and hijacked affairs just make you more alone"

O que mais me fascina na personagem do James Bond é o que estará por trás do homem infalível que vemos no ecrã. Nas cenas nunca mostradas, quando a câmara desliga e a missão está descomprometida, de certeza que detrás de todas aquelas conquistas há um homem que bebe uns copos a mais e conta os seus segredos a pessoas que conhece há tempo de menos para os saberem; que pega no carro e conduz bezano pelas curvas da Arrábida (ou de Monte Carlo) sem medo, em busca de respostas para os seus tormentos; que anseia pelo momento em que chega a miúda que lhe diz "és a minha Rock 'n' Roll Star".

"Man Of War" retrata este herói solitário e perturbado, um homem sozinho que vive com o peso d'a missão nos seus ombros. É o melhor tema de James Bond que nunca o foi. A recusa da EoN faz com que "Man Of War" deixe de ser necessariamente sobre Bond e passe a ser sobre quem quer que viva oblívio do medo e do perigo que espreita a cada esquina. Até finalmente perceber que não há finais felizes.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Phil Collins - "Invisible Touch" (Live in Hyde Park 2017)

"And though SHE WILL FUCK UP YOUR LIFE, you want her just the same"


Não tenho muitos amigos. Nem quero. Os amigos dão muito trabalho e são uma grande responsabilidade. É preciso estar presente (mesmo quando distante), saber da vida deles e mimá-los. A amizade não é, aliás, uma coisa que eu dê como garantida. Tomo-a como uma distinção e tento estar à altura dela, provar dia após dia o merecimento de tal galardão. Em contrapartida, são os meus amigos que me enchem o coração e estão lá quando eu mais preciso.
Não conheço o Phil Collins pessoalmente, mas tenho-o como um amigo porque ele esteve lá sempre que eu precisei dele. Ele agora precisou de mim e eu fui para Londres a correr para o acudir.

Esta crónica é o último capítulo de uma trilogia que contou o regresso de Phil Collins à música e que começou a ser escrita na NiT em Janeiro de 2016. A primeira parte, por altura da reedição da sua obra a solo, centrou-se na absurda percepção plástica da sua obra. A segunda, aquando do anúncio da sua digressão –, sarcasticamente baptizada de 'Not Dead Yet Tour' – focou-se na queda de Phil que quase o levou ao suicídio. O capítulo final, este, conta a história do último concerto desta digressão terapêutica para Phil.


A 'Not Dead Yet Tour' terminou na última sexta-feira num Hyde Park esgotado com 65 mil pessoas, curiosamente o maior concerto da carreira a solo de Phil Collins. Foi muito estranho ver o Phil entrar lentamente em palco de bengala, aparentando uma fragilidade mais parecida com o Sr. Zé da Casa de Repouso das Sarnadas de Ródão (tratem bem da minha avó!!), do que o alegre e vivaço baterista que eu conheci. Os anos não foram meigos para com o tio Phil. Mas em boa hora os filhos o obrigaram a mexer o rabo e a sair de casa para voltar a ser recebido pelos seus amigos.

"Eu sei que prometi não voltar a fazer isto. Mas a verdade é que tive saudades vossas", começou Phil –  aludindo ao facto de se ter retirado da música há 10 anos –,  antes do seu filho Nicholas arrancar com a inconfundível batida para "Another Day In Paradise". Nicholas acabou de fazer 16 anos, mas já mostra uma habilidade e constância surpreendentes na bateria. Foi a grande surpresa do espectáculo. "Filho de peixe", já diz o povo.

Seguiu-se um set – demasiado curto – de hora e meia carregada de êxitos como "You Can't Hurry Love", "Easy Lover" e, obviamente, "In The Air Tonight"; 14 temas no total. Não sei se por cansaço do Phil (ainda há umas semanas voltou a cair na casa de banho do hotel e a magoar-se à séria), se por limitações de horário do festival (os vizinhos do Hyde Park são milionários e muito chatos com o barulho, não é senhor Sting?), mas de fora ficou 1/3 do set normal da digressão, incluindo alguns dos temas que mais queria ouvir, como o pujante "I Don't Care Anymore" e o comovente "You Know What I Mean", com Nicholas ao piano e Phil na voz – um dueto de pai e filho.

Confesso que me soube a muito pouco, especialmente considerando as 95 libras que custava um bilhete para a zona da Plateia Geral que, atrás do Golden Circle e do Diamond Circle (onde é que isto parar?), começava a 120 metros do palco (confirmei pelo Google Earth). Mas o pior não foi isso. A grande desilusão foi o som vindo das colunas, que mal se ouvia. Já levo uns anitos de concertos (este foi o meu 178º) e confesso que nunca na minha vida estive num concerto Rock ao ar livre com o volume tão baixo. Eu estava à frente da zona da Plateia Geral, centrado com o palco e tinha imensas dificuldades em ouvir as guitarras e até a voz do Phil. Àquela distância, só o baixo e a bateria se salvavam.


Por outro lado, Phil cantou "Invisible Touch" e "Follow You, Follow Me", o que muito provavelmente será o mais perto que eu estarei de ver os Genesis ao vivo. Quase perdi a voz no "Invisible Touch" e julgando pelo volume do som vindo das colunas e o volume da minha voz, aposto que num raio de 5 metros à minha volta ouviram mais a minha voz que a do Phil. Pelo menos quando eu gritei "and though SHE WILL FUCK UP YOUR LIFE, you want her just the same!!!" a plenos pulmões, toda a gente se virou para mim. Mas o que importa é que deu para lavar a alma.

Do que me foi possível ouvir, a voz de Phil já não está em condições para estas andanças. Mas o propósito desta digressão era outro. O concerto não foi mais que a maior sessão de terapia alguma vez organizada. À minha volta, gente de todo o mundo que veio para, como eu, voltar a ver o Phil sorrir. Os mais velhos vieram matar saudades e os mais novos para o ver pela primeira (e última?) vez. É notável a paixão da geração mais nova pela música do Phil, depois de tantos anos de injustificado escárnio; e é engraçado perceber que os millennials se estão a encarregar de voltar a pôr as coisas no seu devido lugar. Grupos enormes de miúdos entre os 15 e os 25 anos que, quando acabou o concerto e começou a debandada geral, ficaram a cantar as músicas que faltaram na setlist. E foram muitas, como já vimos.

Sabe bem ver o Phil finalmente reconhecido pelo grande músico que é e pela minha parte, tenho que dizer que estou um pouco orgulhoso por fazer parte dessa mudança de mentalidade.  Phil merece todo o amor que estes 65 mil amigos que não o conhecem de lado nenhum lhe vieram mostrar. Para alguém que teve tanto sucesso e fez tanta gente feliz com o seu toque invisível, não faz sentido nenhum sentir-se tão mal com o seu passado. Espero que esta noite o tenha ajudado. No fim, Phil despediu-se com um "Obrigado por terem vindo, amo-vos a todos". Soltei uma lágrima e sussurrei baixinho: "I love you too, Phil. Always have, always will".

P.S.: Trouxe um souvenir do concerto para me motivar a (finalmente!) começar as minhas aulas de bateria. Mesmo manco, o Phil ainda é capaz de me ajudar a mexer. Se isto não é um amigo...


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Roger Waters - "Wait For Her" / "Oceans Apart" / "Part Of Me Died"

"When I laid eyes on her, a part of me died"


Ainda o novo álbum do Roger Waters. Confesso que tenho andado completamente vidrado em "Is This The Life We Really Want?". Para terem uma ideia da dimensão da obsessão, confidencio-vos o meu Top 10 dos mais ouvidos da última semana no Spotify:



... e isto obviamente não conta com o número de audições do vinil, que já levou umas valentes esfregas. Já agora, se usam o Spotify, aconselho-vos vivamente a fazerem a sincronização com a conta no Last.fm (e se não a têm, criem). Analisar estas estatísticas is half the fun da listening experience. É a banda sonora da nossa vida, right there, ali exposta. Mas voltemos ao Roger.

Tenho grande estima pelos álbuns a solo do Roger. Todos os três anteriores ("The Pros And Cons Of Hitch Hiking", "Radio KAOS" e "Amused To Death") fizeram parte da minha vida de uma forma ou de outra, mas "Is This The Life We Really Want?" aterrou aqui como um pára-quedas humanitário numa zona de catástrofe. Nenhum álbum me moveu assim nos últimos anos, talvez desde que descobri "All Things Must Pass" em 2011. Por isso este é especial. Este sim, é o melhor álbum de sempre do Roger; e nesta segunda parte da minha review vou continuar a explicar-vos porquê.

Hoje vou falar do outro lado do novo álbum de Roger Waters. Para lá da visão niilista da vida e do mundo, "Is This The Life We Really Want?" é um exercício de introspecção implacável. Roger despe-se por completo, olha para dentro e escava a fundo em si mesmo. Nu e cru. Sem medos. E desta vez, não é só a interminável saga do pai que morreu na guerra; é o Roger himself, que morreu por dentro, bocadinho a bocadinho e quer falar sobre isso. Este é o álbum mais pessoal de toda a sua carreira. E se eu tivesse que apostar, diria que este álbum confessional só chegou agora, porque só agora é que Roger aprendeu a olhar para dentro.

Roger Waters tem 73 anos e por esta altura já está ciente do que é. Após 4 casamentos e outros tantos divórcios, Roger já percebeu loud and clear que é unloveable — melhor, sabe que pode até chegar alguém que o ame, mas nunca quererá partilhar a sua vida com ele; nunca ninguém o vai aturar. Já o Freddie se queixava do mesmo.
Roger é um homem muito intenso e não é fácil encontrar alguém que saiba (e queira) lidar com alguém assim (eu também sei um bocadinho do que é isso e talvez por isso me tenha identificado tanto com o Roger ao longo dos anos). Mas aquilo que falta ao Roger em inteligência emocional, sobra-lhe no domínio com as palavras (e às vezes com a música). O novo álbum foi a forma que ele encontrou para expressar o que lhe ia na alma e quiçá estabelecer comunicação com alguém importante.

Como a sua personalidade, "Is This The Life We Really Want?" é uma audição extenuante. É o perfeito espelho da intensidade de Roger, tanto quando fala de política, como quando fala de amor. Atentemos, pois, na intensa trilogia que fecha o álbum: "Wait For Her" / "Oceans Apart" / "Part Of Me Died". Esta sequência é de partir o coração, tão pessoal que chega a ser desconfortável.

"Wait For Her" é baseado num poema do autor palestiniano Mahmoud Darwish e fala de como o "verdadeiro amor espera" (e o produtor Nigel Godrich sabe acerca disso): "And if she comes soon, wait for her / And if she comes late, wait". "Oceans Apart" fala sobre o momento mágico do primeiro encontro e serve de introdução para a declaração de amor que vem a seguir.

A última parte é "Part Of Me Died", que parece tudo menos o título de uma canção de amor (um pouco como o "If I Had A Gun" do Noel Gallagher). É porém tão somente uma das mais bonitas, mais sinceras e mais despidas canções de amor de sempre. Despida é mesmo a palavra. Porque só quando nos despimos (por dentro e por fora, obviamente) é que o amor pode funcionar. Roger abre o coração e confessa todos os seus pecados, um por um:
The part that is envious; Cold hearted and devious; Greedy, mischievous; Global, colonial; Bloodthirsty, blind; Mindless and cheap; Focused on borders; And slaughter and sheep; Burning of books; Bulldozing of homes; Giving to targeted killing with drones; Lethal injections; Arrest without trial; Monocular vision; Gangrene and slime; Unction, sarcasm; Common assault; Self-satisfied heroic killers; Lifted on high: Piracy adverts; Acid attacks on women by bullies and perverts and hacks; The rigging of ballots and the buying of power; Lies from the pulpit; Rape in the shower; Mute, indifferent; Feeling no shame; Portly, important; Leering, deranged; Sat in the corner; Watching TV; Deaf to the cries of children in pain; Dead to the world, just watching the game Watching endless repeats; Out of sight, out of mind; Silence, indifference; The ultimate crime.
But when I met you, that part of me died
Roger é uma besta e ele sabe disso. E como vemos, já não tem pudor em confessá-lo de todas as maneiras possíveis. Literalmente.
Mas até ele fecha o seu álbum mais niilista com um laivo de esperança:
Bring me a bowl to bathe her feet in, bring me my final cigarette
It would be better by far to die in her arms than to linger in a lifetime of regret

quarta-feira, 21 de junho de 2017

The Kinks - "Shangri-La"

"You've reached your top and you just can't get any higher. You're in your place and you know where you are, in your Shangri-la"

Shangri–la: 
1:  a remote beautiful imaginary place where life approaches perfection
2:  a remote usually idyllic hideaway


"Agora que encontraste o teu paraíso, este é o teu reino para comandar". O cinismo cheira-se à distância nas primeiras linhas de "Shangri-la", o mais fascinante tema dos The Kinks. Complexo e multiparte, erudito e quasi-progressivo (pelo menos na mesma medida de "Happiness Is A Warm Gun" — outro tema cínico de um tal de John), "Shangri-La" mostra o lado mais intelectual da banda em detrimento do apelo proto-punk de temas carregados de testosterona como "You Really Got Me" e "All Day And All Of The Night". Onde antes havia desejo, agora há cinismo. A minha dúvida é até onde ele vai.


Levado à letra, "Shangri-la" fala sobre as parcas aspirações da classe média, para quem os grandes sonhos se resumem a um carro, uma casa com nome na porta e uma cadeira confortável em frente à lareira para beber chá com os vizinhos. Sonhos de pantufa comedidos, equilibrados e realistas que, quando não acompanhados da loucura do amor, são inexoravelmente medíocres (e que o MEC descreveu aqui tão bem — têm mesmo que ler isto). Sonhos que eu quero longe de mim e da minha vida. Não duvidem, esta teimosia em me dobrar ao cinzentismo da realidade sujeita-me a um carrossel emocional de dissabores, mas talvez seja esse o preço a pagar por uma forma de viver romantizada e, como diria o meu Louis C.K., um pouco estúpida. Mas haverá outra forma de viver?

Na verdade, "Shangri-la" teve origem na visita dos manos Davies (Ray e Dave) à Austrália em 1964, onde foram ver a sua irmã mais velha que se tinha mudado para um condomínio fechado com o marido. Por isso admito que a leitura literal do tema até pode ser historicamente a mais correcta. Contudo, eu tenho uma visão bem mais ampla de "Shangri-la" do que uma mera alfinetada aos sonhos terrenos da classe média. O cinismo vai bem para lá da crítica social.

Para mim, "Shangri-la" é uma revenge song, ou uma break-up song — dependendo do grau de relacionamento com o alvo do tema. O tom jocoso com que Ray Davies entrega linhas como "You've reached your top and you just can't get any higher" ou "You're in your place and you know where you are" leva-me a crer que o alvo era bem mais específico que a classe média. É uma canção de vingança à imagem de "Death On Two Legs" (Queen) e "How Do You Sleep?" (John Lennon), ou uma canção de separação como "Positively 4th Street" (Bob Dylan) e "I Am The The Resurrection" (The Stone Roses).

O caso mais interessante é, obviamente, o da separação amorosa. E o cenário aqui é bem claro: Ray Davies foi abandonado em detrimento do Shangri-la do seu par, a quem ela pode finalmente dar toda a atenção que Ray antes roubava; o mundo dela foi mais forte do que Ray e ele não conseguiu lutar mais contra isso; Ray ficou sozinho e cinicamente lhe diz que "agora que encontraste o teu paraíso, este é o teu reino para comandar". Como quem diz, "fizeste a tua escolha, agora lida com as consequências".

Claramente prefiro a minha interpretação.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Lindsey Buckingham & Christine McVie - "Carnival Begin"

"I'll take it all, I may lose or win, a new merry-go-round. Carnival begin"


Permitam-me que solte isto logo de início: "Carnival Begin" é um dos temas do ano. É lindo, lindo, lindo. Eu sei, certamente não o vão encontrar nas listas dos melhores do ano das publicações mais trendy, mas fuck that, não deixem que isso afecte o vosso sentido de melodia. Só precisei de o ouvir uma vez para ficar agarrado. Amor à primeira audição, podem chamar-lhe. Acontece. E nem de propósito, porque é mesmo de amor que fala o tema; mais especificamente um novo amor, um novo carrossel, um novo carnaval que começa ("I want it all / All the colours and swings / A new merry-go-round / Carnival begin").

Começar de novo. É sempre uma merda. É preciso estômago, depois dos enjoos sofridos na última viagem. Mais que isso, é preciso coragem para vencer o medo de um carrossel desconhecido, sentar no pónei e ter a esperança pueril que desta vez vai correr tudo bem. Mas antes que isto se pareça com um livro do Pedro Chagas Freitas, vou fazer uma ligação ao mundo real e citar o meu filósofo de eleição ainda vivo: "Why the fuck would anything nice ever happen?!".



Ou então sou que tenho ouvido demasiadas vezes o novo álbum do Roger Waters. Também pode ser isso.

Alheios à erma realidade, Lindsey Buckingham e Christine McVie navegam ingenuamente pelas águas do sonho em "Carnival Begin" e isso reconforta-me; nem que seja para também eu me alhear da realidade. O ambiente acolhedor bluesista senta-me imediatamente na velha poltrona do meu Pai na sala da minha casa antiga, à meia luz das persianas quase-fechadas, deixando apenas os orifícios para passar a luz e o barulho da linha de comboio. Desenganem-se se pensam que vos falo de nostalgia. Não. Isto não é saudade da infância e muito menos da casa à beira da linha de comboio (belas madrugadas eram essas). É sim uma ânsia de um sentimento familiar. Saudades de um futuro desejado, talvez. Mas avancemos que isto agora é que se está a tornar num livro do Pedro Chagas Freitas.

"Carnival Begin" só peca por terminar demasiado cedo, interrompendo o coito de um solo de guitarra tão belo e tão raro nestes tempos em que toda a gente se pela de medo por arriscar um solo num disco. Louvo-te a coragem, Lindsey. O solo de guitarra em fade out fecha "Lindsey Buckingham Christine McVie" — um álbum que tem tanto de elusivo, que eu me pergunto se os seus criadores querem mesmo que tenha sucesso.


"Lindsey Buckingham Christine McVie" é, na prática, o novo álbum dos Fleetwood Mac em tudo menos no nome. Senão vejamos: todos os temas são escritos por Lindsey Buckingham e Christine McVie, dois terços do núcleo de compositores da formação clássica dos Fleetwood Mac; a secção rítmica que toca no álbum é composta por Mick Fleetwood na bateria e John McVie no baixo, nomes que acho que são auto-elucidativos; e last, but defintely not least, o álbum soa brutalmente a Fleewood Mac. E como não? Afinal de contas, a equipa é a mesma. Só falta mesmo a Stevie Nicks. Mas quem precisa da Stevie Nicks, anyway? Nada contra a senhora, seria aqui muito bem-vinda com dois ou três temas e uns "Aaaahs" e uns "Oooohs" nas backing vocals, mas será que ela é mesmo precisa? Só se for mesmo para dar direito a usar o nome. Mas se ela não queria ter trabalho, podia ter aparecido para tocar umas maracas num dos temas e resolvia-se a questão.

Não houve Stevie Nicks, não pôde haver Fleetwood Mac e foi aqui que começou um rol de equívocos. Começando logo pelo nome do álbum. Quem conhece as bases da história dos Fleetwood Mac, mais especificamente da sua formação clássica, saberá que Lindsey Buckingham e Stevie Nicks foram recrutados anos depois do vazio deixado pela saída do icónico compositor e guitarrista Peter Green (por este ter, digamos, "fritado" com as drogas) e que o que lhes valeu a entrada na banda foi um álbum que gravaram em 1973, nos tempos em que eram um casal — "Buckingham Nicks", chamava-se o LP. Faria todo o sentido que este álbum, sendo uma colaboração entre Buckingham e McVie se chamasse... "Buckingham McVie". Foi esse o working title do álbum até à última hora e eu adorava que me explicassem a decisão de mudar.

Agora atentem na capa em cima. Será que era possível o Lindsey e a Christine estarem mais separados na foto da capa?! É que eu acho que nem as sombras se tocam. Para um álbum onde o afecto e a intimidade são temáticas recorrentes, não poderia haver capa mais fria. E tantas imagens melhores havia. Como esta foto de promoção, por exemplo:


Ou esta, com ambos sentados no sofá e Lindsey a mostrar todo o seu desconforto por estar ali. Ok, esta talvez não.


E por que não a recuperação de uma imagem clássica, dos velhos tempos dos Fleetwood Mac?


A capa do álbum é uma aberração entre o esquisito e o inexplicável. Não acredito que ninguém fosse capaz de avisar o Lindsey e a Christine que aquilo na melhor das hipóteses era medíocre e na pior passava a mensagem errada ao público (de afastamento). E se eu não conhecesse as capas obscenamente más dos álbuns a solo do Lindsey, ainda era capaz de suspeitar que era auto-sabotagem.

Ainda me resta mais uma queixa relativamente a "Buckingham McVie" (deixem-me ficar com o título antigo): o som. Mas que raio de assassinato sonoro vem a ser este? Para quê tanta compressão? Para quê o volume tão alto? Os álbuns dos Fleetwood Mac soam maravilhosamente bem, por isso sei que o Lindsey e a Christine sabem melhor que isto. Qual é a ideia? Apelar à geração Spotify? Malta, ninguém vai ouvir o vosso álbum porque o apanharam na barra de sugestões do Drake ou da Ariana Grande. Vão ouvir porque conhecem os Fleetwood Mac e estão habituados a essa bitola.

Agora que já ventilei as minhas reclamações, eis o meu veredicto. Nestes dias do Indie Rock perdido, bipolar e esquizofrénico, é sempre bom ouvir um álbum firmemente ancorado na melodia. E na positividade também. Para variar.
Se são fãs da era clássica dos Fleetwood Mac (entre o álbum homónimo "Fleetwood Mac" de 1975 e "Tango In The Night" de 1987), vão adorar "Buckingham McVie"; é um return to form da dupla mais improvável dos Fleetwood Mac e o melhor trabalho desde o longínquo (e a todos os títulos maravilhoso) "Tango In The Night". Se são fãs da era de Peter Green, talvez isto não seja para vocês. Se só conhecem alguns temas avulsos dos Fleetwood Mac (provavelmente "Little Lies", "Go Your Own Way" e "Gypsy"), devem dar uma chance a "Buckingham McVie", mas mais importante que isso, do que é que estão à espera para ouvir esfomeadamente o "Rumours" e o "Tango In The Night"? Ou esta playlist espectacular? Ainda aqui estão? Tudo para o Spotify! O "Buckingham McVie" pode esperar.